Sunday, December 8, 2013

Quantos tons de vermelho é capaz de identificar nesta imagem?

Olhe atentamente a imagem e diga quantas tonalidades de vermelho é capaz de identificar. Se alguém distingue dois ou três vermelhos diferentes provavelmente é um homem. Agora se for capaz de distinguir cinco, seis ou inclusive sete tons diferentes, é muito provável que seja mulher. Este experimento visual foi realizado várias vezes e projeta resultados contundentes: as mulheres são capazes de diferenciar uma gama de cores mais ampla do que os homens.
Não é à toa que a paleta visual masculina conheça somente as setes cores com suas variantes claras e escuras enquanto as mulheres conhecem trocentos e trinta e duas cores. Por outra parte, diversos estudos com similares características afirmam que se mudarmos as cores por colunas em tons de cinza com posições alternadas, os homens percebemos melhor os estímulos de movimento que elas provocam.

Apenas um par de exemplos para apresentar fatos que estão sendo confirmados, estudo após estudo, durante os últimos cinquenta anos: os cérebros de homens e mulheres possuem diferentes variáveis estruturais, hormonais e funcionais.

Este é sempre um tema tremendamente incompreendido por parte do público e de alguns meios que, quando surge uma notícia deste tipo tendem para uma espécie de guerra de sexos totalmente injustificada. No entanto, e desde um ponto estritamente científico, os artigos publicados nas últimas décadas mostram que os cérebros de ambos os sexos oferecem diferentes soluções à hora de processar a informação do mundo exterior.

O último artigo sobre este fascinante campo da neurociência foi publicado no começo da semana pela revista PNAS e analisa em profundidade as conexões neuronais entre os dois hemisférios de nosso encéfalo. O estudo centra-se no conectoma, um conceito muito na moda nos últimos anos e que se refere à intrincada rede de conexões entre os mais de 85 bilhões de neurônios de um ser humano.
Os autores da publicação realizaram um mega-estudo analisando as conexões neuronais de quase mil pessoas (521 mulheres e 428 homens) com idades compreendidas entre 8 e 22 anos. Observem a seguinte infografia realizada mediante ressonância magnética:
Na parte superior podemos ver o cérebro de um homem e na parte inferior o cérebro de uma mulher. As linhas azuis correspondem com conexões que acontecem em um mesmo hemisfério do cérebro enquanto as linhas laranjas são conexões entre o hemisfério direito e o esquerdo.

A diferença é notável e leva aos autores da pesquisa a confirmar que homens e mulheres contamos com diferentes vias conectivas para processar a informação. A estrutura das conexões no cérebro masculino parece agilizar o intercâmbio de informação entre as áreas de percepção da realidade e as áreas de ação. Enquanto no cérebro feminino as conexões neuronais são mais abundantes entre hemisférios propiciando assim, em palavras dos próprios cientistas, "a comunicação entre os modos de processamento analítico e intuitivo".


Como se traduzem estes resultados em nossa vida diária?

Os estudos apontam a que estas diferenças nas conexões entre hemisférios, facilitam em mulheres uma maior capacidade de atenção, uma inteligência social mais funcional e uma melhor memória para determinadas funções como retenção de palavras ou reconhecimento de rostos. Por sua vez a maneira de se conectar dentro do mesmo hemisfério no cérebro masculino pode melhorar a capacidade de orientação ou acelerar o tratamento da informação e a resposta ante estímulos móveis.

Curiosamente, estas diferenças na conectividade neuronal, podem ser apreciadas com maior clareza a partir de 13 anos já que em idades temporãs as conexões entre hemisférios são muito similares entre meninos e meninas. Por conseguinte estas diferenças na conectividade entre hemisférios começam a ficar mais e mais visíveis ao chegar à adolescência.
Abundando sobre o assunto, um outro estudo recente desbancou o rótulo de demarcação dicotômica entre os hemisférios esquerdo (analítico) e direito (criativo) do cérebro. As imagens provenientes de ressonância magnética do cérebro de 1.011 voluntários não mostraram nenhum indicativo de que o ser humano faça uso de um ou outro lado do cérebro quando faz uma conta de cabeça ou recita um verso, por exemplo, senão que os dois em conjunto. 

Esta ideia de que dois opostos analítico e artístico se completam em nosso cérebro foi possivelmente plantada por um artigo publicado em 1973 pelo New York Times que assinalava mais poética do que cientificamente que:

- "Duas pessoas muito diferentes habitam em nosso cérebro... Um deles é verbal, analítico e dominante. O outro é artístico...", e a partir daí vários estudos e publicações se apropriaram do modelo, pese a que nem representava a opinião de Roger Sperry, suposto autor desta divisão hemisférica, que terminou caindo no gosto da cultura popular.


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