Wednesday, September 11, 2013

Como os animais e as plantas se comunicam?

A comunicação entre seres vivos é essencial para a sobrevivência de todas as espécies. Parece estranho dizer isso, afinal animais e plantas não têm a capacidade de articular palavras e dizer coisas que fazem sentido para humanos. Mas, assim como nós, animais usam seus próprios canais sensoriais na comunicação. 
Dependendo da espécie, objetivo é chamar atenção do sexo oposto na época de reprodução, defender território, identificar bichos da mesma espécie ou conversar com membros do mesmo grupo.

Bichos de hábitos diurnos são ótimos em transmitir e receber sinais visuais. O macho da espécie tordo-sargento, um pássaro nativo das Américas do Norte e Central, possui manchas avermelhadas no canto das asas. Essas manchas vistas de longe servem para demarcar território. Em 1972, o biólogo Douglas G. Smith pintou as penas dos pássaros de preto, e o território deles foi invadido por outros pássaros da mesma espécie que não tinham sido pintados.

A comunicação sonora também é amplamente utilizada por animais de várias espécies: aves, baleias, onças, morcegos, cães. Todos eles emitem sons que, mesmo não sendo perceptíveis - como no caso dos morcegos - ou compreensíveis ao ouvido humano, servem para se comunicar com outros bichos e perceber o ambiente à sua volta. Recentemente, cientistas do Reino Unido descobriram que os golfinhos chamam uns aos outros pelo nome: eles têm um assobio único para cada membro do grupo.

Há ainda sinais químicos que são mais usados por insetos. Em várias espécies de mariposas, as fêmeas produzem substâncias que deixam um rastro por onde passam, atraindo machos. Mamíferos também podem se valer desse recurso: afinal, o cangambá não é fedorento por acaso. Ele libera um cheiro forte característico para espantar predadores.

Lêmures possuem glândulas anais que liberam cheiros e marcam território. Na época do acasalamento, ocorrem, inclusive, "lutas" de fedor: os machos esfregam suas caudas peludas e listradas nas glândulas e tentam esfregá-la em outros machos. O vencedor da luta terá acesso liberado à fêmea.

O tato também pode ser útil a bichos que vivem em grupos, como os chimpanzés. Eles vivem se abraçando, se acariciando e se cutucando, independente do motivo: pode ser para se livrarem do estresse, para se cumprimentarem ou para aplacar a agressividade de um deles. Além disso, animais aquáticos são capazes de se comunicar através de pulsos elétricos. Várias espécies da família Mormyridae, que vivem em rios e lagos da África, descarregam eletricidade na água para tentar encontrar membros da mesma espécie.

Comunicação vegetal
Plantas também se comunicam, não só entre si, como também com animais. Elas lançam mão de recursos como luzes e sombras, aromas químicos e toque físico para atrair polinizadores, ajudar no processo de crescimento e até evitar contaminações por fungos e outras doenças. Assim, plantas que ficam perto umas das outras podem se ajudar a sobreviver.

Recentemente, um estudo publicado por uma universidade na Austrália indica que pode existir um outro tipo de comunicação cooperativa entre vegetais que vai além dos sensores químicos, luminosos e táteis.

Partindo do fato de que manjericão ajuda pés de pimenta a germinar com mais rapidez, pesquisadores colocaram um vaso com uma semente de pimenta ao lado do vaso de manjericão, mas separados para que não houvesse comunicação química, de luzes e sombras ou contato físico entre elas.

A experiência comprovou que, mesmo isolado destes tipos de comunicação, o manjericão conseguiu ajudar o pé de pimenta a germinar muito mais rápido do que se estivesse sozinho. Isso significa que a vizinhança entre as plantas promoveu a comunicação.

Ainda não há certeza sobre como os dois vegetais se comunicaram. O estudo sugere que oscilações nanomecânicas de componentes dos troncos e dos galhos produzem vibrações sonoras que as plantas vizinhas podem captar.

As plantas não falam, mas podem produzir sons para "conversar" entre si. Uma certeza é que as cores das flores comunicam-se com insetos polonizadores. As pétalas da espécie Desmodium setigerum, por exemplo, podem mudar de cor após receberem a visita de uma abelha.

Assim, se elas não forem polinizadas com eficiência pela primeira abelha, elas ganham uma cor ainda mais forte e conquistam a segunda chance de chamar atenção da próxima abelha. Se a primeira polinização for eficiente, elas ficam menos chamativas, indicando que não sobrou nada para o próximo inseto.


Fonte: UOL
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