Saturday, November 3, 2012

Chimpanzés gostam de humor pastelão assim como nós?

Desde antes das Videocassetadas, já é divertido observar como alguns animais parecem reagir a estímulos de humor, sorrindo ou até dando gargalhadas. Tal como em outros pontos de semelhança com humanos, os primatas parecem estar à frente nesse quesito. Evolucionistas britânicos conduziram um estudo e formularam ideias sobre como funciona o riso em macacos e seus parentes próximos.

Realizada pela Universidade de Oxford, a pesquisa defende que existe um tipo de humor ao qual os primatas têm sensibilidade: aquele que não depende exclusivamente da linguagem. Existe nisso uma pitada de sadismo, pois tal humor geralmente aflora ao vermos alguém passando por um mau bocado, ou alguma coisa saindo errado. A fuga da normalidade seria engraçada não apenas para seres humanos.

Em termos práticos: embora não consiga entender uma piada de mau gosto (em que o personagem se dá mal), nem com linguagem verbal, desenhos ou mímica, o primata poderia rir da cena em si. Estas cenas seriam visualmente simples, tais como alguém levando um balde de água na cabeça ou uma torta na cara.

Humor básico x humor avançado

Quimicamente falando, o riso é o desencadear da liberação de endorfina no organismo. Este é o princípio elementar, um ponto que une primatas e humanos. Quando um macaco aparenta estar rindo (por abrir um sorriso e inspirar o ar rapidamente, se sacudindo), os cientistas só podem constatar se há alguma mudança ao medir seus níveis de endorfina.

Quando somos crianças, nossa compreensão linguística é limitada, mas já adquirimos a capacidade de achar graça. Um bebê não entende uma piada, mas tende a rir se um adulto faz alguma palhaçada, desde que tenha a ideia do infortúnio: cair no chão, se sujar, escorregar em uma casca de banana, coisas do gênero.

Os macacos, dessa forma, estariam nivelados às crianças. Eles alcançam esse tipo de humor não verbal, e o recebem de maneira muito parecida.

O riso como interação social

Os pesquisadores de Oxford estiveram em bares na Grã-Bretanha, França e Alemanha, e analisaram os pequenos grupos que se formavam em cada mesa. O objetivo era descobrir quais eram os momentos mais propícios para que o riso tomasse conta da mesa, e se havia sincronismo no riso.

Foi descoberto que, de maneira geral, quanto menor o grupo de adultos conversando, mais “sofisticado” se torna o humor da conversa. Em grupos grandes, tais como a plateia em um show stand-up de comédia, as pessoas tendem a rir uma “no embalo” das outras, nem sempre com total compreensão, o que aproxima este humor do que se encontra em crianças e em primatas, teoricamente.

No caso de grupos pequenos, o humor é mais maduro, por assim dizer. Um exemplo prático é observado pelo aumento de “piadas internas”, que exigem maior conhecimento social de cada um dos interlocutores para que se possa criar a situação do riso. É um humor menos espontâneo e, portanto, mais medido, mais pensado. Em suma, o humor que nos diferencia de nossos parentes do início da evolução das espécies

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