Wednesday, October 3, 2012

Câncer de pele: tratamento sem cirurgia

O câncer de pele é o tipo de câncer mais comum entre os seres humanos. Estima-se que uma em cada seis pessoas desenvolverá um câncer de pele ao longo da vida, principalmente a população de pele branca e exposta à intensa radiação solar. Mais frequente e bem menos agressivo do que os melanomas, os carcinomas respondem por 95% das neoplasias malignas de pele. Desse total, 75% são do tipo basocelular. Se detectados precocemente, carcinomas basocelulares possuem índices de cura próximos de 100%.
O ‘porém’ é que o tratamento do carcinoma basocelular é quase sempre cirúrgico, em especial quando apresenta característica invasiva, pois, apesar de raramente gerar metástase, pode acometer tecidos próximos, cartilagens e até ossos. Como mais de 80% dos casos ocorrem em áreas expostas, especialmente o rosto, em cirurgias maiores os danos estéticos resultantes do procedimento podem gerar impacto sobre a autoestima dos pacientes. 

Mas uma alternativa se abre com a terapia fotodinâmica, tecnologia aprovada em 1999 na Europa e trazida recentemente ao Brasil. Ela é indicada para carcinomas basocelulares superficiais (a grande parte deles), com espessura de, no máximo, 2 mm. Além de eficácia comprovada e segurança semelhante à do procedimento cirúrgico, o maior benefício é a remoção da lesão sem deixar cicatrizes.

A terapia fotodinâmica também tem indicação para o tratamento de lesões pré-cancerosas, como a queratose actínica, e da doença de Bowen (tipo de carcinoma espinocelular). “Outra indicação é para o tratamento de áreas do corpo com múltiplas lesões com potencial cancerígeno”, afirma o Dr. Beni Moreinas Grinblat, dermatologista do Núcleo de Oncologia Cutânea do Hospital Israelita Albert Einstein. “Essas áreas, chamadas de campos de cancerização, localizam-se geralmente em partes expostas, como couro cabeludo, rosto e antebraços”, explica ele.

Outra importante indicação da terapia fotodinâmica é no tratamento preventivo de câncer de pele em pacientes imunossuprimidos por transplantes, principalmente os renais. “Os transplantados estão sobrevivendo cada vez mais e por isso – associado à imunossupressão – desenvolvem tumores de pele com frequência e de gravidade muito maior que as pessoas imunocompetentes. Diversos estudos científicos demonstram que a terapia fotodinâmica pode curar os tumores, além de diminuir o aparecimento de novos, ou seja, tem efeito preventivo”, informa o Dr. Luiz Guilherme Martins Castro, dermatologista do Núcleo de Oncologia Cutânea do Einstein.

Reação fototóxica

A técnica baseia-se na aplicação sobre a lesão de uma pomada à base de aminolevulinato de metila, droga que em contato com a lesão faz com que as células cancerígenas – e apenas elas – produzam uma grande quantidade de protoporfirina IX. “Ao ser iluminada por uma lâmpada especial, a protoporfirina IX gera substâncias tóxicas que destroem exclusivamente as células do tumor, preservando as áreas de pele sadia”, explica o Dr. Luiz Guilherme. Trata-se, segundo ele, de uma terapia extremamente seletiva. 
Não há restrições em relação à faixa etária ou sexo. O método, aliás, é especialmente indicado para quem utiliza marcapasso ou faz uso de medicações anticoagulantes, pois são pacientes mais difíceis de serem operados. 

O procedimento é ambulatorial. Ele engloba uma raspagem prévia da lesão para melhor penetração da substância. Após a aplicação da pomada, o local é coberto e assim permanece por três horas, para garantir que a substância atinja as células cancerígenas mais profundas. A seguir, o local é iluminado por 8,5 minutos. 

Duas sessões são suficientes para destruir o carcinoma basocelular superficial e o tumor da doença de Bowen. Nas lesões pré-cancerosas, o resultado é efetivo com apenas uma sessão. O inchaço e a vermelhidão provocados pelo procedimento regridem totalmente em cerca de duas semanas.

Há várias pesquisas em andamento para o desenvolvimento de substâncias fotossensibilizantes ainda mais eficazes e com potencial de ação em menor tempo do que as três horas atuais.

Atualmente disponível em poucos centros especializados, a indicação da terapia fotodinâmica requer criteriosa avaliação médica. Por se tratar de uma terapia tópica, sua aplicação se restringe às lesões superficiais. Portanto, quanto mais precoce o diagnóstico do carcinoma basocelular superficial, maior a possibilidade de poder contar com a fotodinâmica como alternativa ao tratamento cirúrgico.


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...